Arquivo mensal: outubro 2011

ESTREIA | Avenida Brasília Formosa

O penúltimo filme exibido pela Sessão Vitrine será Avenida Brasília Formosa, de Gabriel Mascaro. O filme fica em cartaz no Cine Cultura de 28 de outubro a 1 de novembro.  Antes do longa será exibido o curta-metragem Material Bruto, de Ricardo Alves Júnior, um trabalho realizado com usuários do centro de convivência da rede pública de saúde mental, na cidade de Belo Horizonte.

85′ / Brasil / 2010 / Português / Documentário

O filme Avenida Brasília Formosa é antes de tudo um ponto de partida para gerir encontros entre sujeitos singulares e subjetividades a partir de personagens eleitos para tecer uma rede, arquitetando uma leitura poética e sensorial da comunidade de Brasília Teimosa. Estes laços comunitários se estabelecem não a partir de uma romantização (muito comum ao cinema brasileiro) do conceito de “identidade cultural”, mas a partir de relações cotidianas. São relações que congregam tensão e conflito com as mais puras necessidades humanas. Uma verdadeira teia complexa e intrincada de pessoas que se interconectam. A comunidade de Brasília Teimosa percebida enquanto dicotomia de fluxos, micropolíticas, dialéticas de representação, identidades repartidas, fissuras, grafias. O filme fala sobre desejo, mas o desejo enquanto potência de vida e sonho real. O filme sugere uma dança, quase um ballet, que suspende esse real e o sustenta na ponta dos dedos do pé.

DIRETOR Gabriel Mascaro

SINOPSE Fábio é garçom e cinegrafista. Registra importantes eventos no bairro de Brasília Teimosa (Recife). No seu acervo, raras imagens da visita do presidente Lula às palafitas. Fábio é contratado pela manicure Débora para fazer um videobook e tentar uma vaga no Big Brother. Também filma o aniversário de 5 anos de Cauan, fã do Homem Aranha. Já o pescador Pirambu mora num conjunto residencial construído pelo governo para abrigar a população que morava nas antigas palafitas do bairro, que deu lugar à construção da Avenida Brasília Formosa. O filme constrói um rico painel sensorial sobre a arquitetura e faz da Avenida uma via de encontros e desejos.

A obra ganhou este ano o prêmio de melhor documentário no Festival Cine Las Américas (Austin) e fez parte da seleção oficial dos festivais de Rotterdam e de Munique, em 2010.

FICHA TÉCNICA:

Filme: Avenida Brasília Formosa

Direção: Gabriel Mascaro

Origem: Brasil / 2010

Gênero: Documentário

Estreia: Sexta-feira, 28 de outubro

Sessões: sextas, segundas e terças-feiras, às 18h30 e 20h30, e aos sábados e domingos, às 17h30 e 19h30.

Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)

Datas alteradas para a exibição de “Os Monstros”

Informamos ao público do Cine Cultura que em virtude das comemorações do aniversário de Goiânia, neste domingo (23) e nesta segunda-feira (24), o cinema permanecerá fechado.
Deste modo, a semana de exibição do filme “Os Monstros” que entra em cartaz hoje (sexta, 21) sofrerá alterações.

Confira as datas e programe-se:

Sexta (21), terça (25), quarta (26) e quinta-feira (27) – Sessões: 18h30 e 20h30
Sábado (22) – Sessões: 17h30 e 19h30

Não haverá sessões no domingo (23) e na segunda-feira (24).

ESTREIA: Os Monstros

Seguindo a programação da Sessão Vitrine em Goiânia, o Cine Cultura exibe Os Monstros a partir desta sexta-feira (21). O curta-metragem da vez é Adormecidos de Clarissa Campolina. Confira a ficha técnica do filme, assista ao trailer e não deixe de ir ao Cine Cultura.

81′ / Brasil / 2011 / Português / Ficção

DIREÇÃO Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diogenes, Ricardo Prett

SINOPSE Nenhum homem é um fracasso quando tem amigos.

PRÊMIOS
• Menção Especial do Júri | 13º BAFICI – Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires

FESTIVAIS
• 22º FidMarseille (FRANÇA)
• 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes
• 10ª Mostra do Filme Livre
• Cine Esquema Novo 2011
• 6º Festival Latino-Americano de São Paulo
• Festival Internacional Lume de Cinema

Estreia da semana: Desassossego

63′ / Brasil / 2011 / Português / Ficção

A partir de uma carta escrita inspirada em um bilhete encontrado em um armário abandonado por uma menina de 16 anos, 14 cineastas do RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO, MINAS GERAIS e CEARÁ dirigiram 10 fragmentos de filmes, que foram costurados como uma carta-filme de 63 minutos, falando de amor, utopia, explosões e apocalipse.

Terceira parte da trilogia Coração no Fogo.

DIRETOR Karim Ainouz, Felipe Bragança, Marina Meliande, Ivo Lopes Araujo, Carolina Durao, Andrea Capella,Gustavo Bragança, Marco Dutra, Juliana Rojas, Helvecio Marins, Clarissa Campolina, Raphael Mesquita, Leonardo Levis, Caet

FESTIVAIS
– 2ª dos Realizadores Rio de Janeiro
– Janela Internacional de Cinema do Recife 2010
– 40th Rotterdam Film Festival – Bright Future Section (International Premiere)

Em cartaz no Cine Cultura de 14 a 18 de outubro.

 

Crítico

por Fabrício Cordeiro

As primeiras imagens de Crítico trazem um paralelo entre rolos de película e “rolos” de impressão de jornal. É uma montagem que parece ecoar François Truffaut e sua declaração de que assistir cinema e escrever sobre cinema também é fazer cinema. Em todo caso, a estrutura que envolve o cinema talvez tenha no crítico sua figura mais incompreendida. Assim como os cineastas, costuma ter algo de distante, encarado como aquele que supostamente pretende dizer o que o filme é de fato. Em uma de suas grandes falas, André Bazin já dizia, contudo, que “a função do crítico não é trazer numa bandeja de prata uma verdade que não existe, mas prolongar o máximo possível, na inteligência e na sensibilidade dos que o leem, o impacto da obra de arte.” Discípulo de Bazin, Truffaut nos lembra a impossibilidade de cinema ser ciência, logo não havendo razão para que a crítica seja.

Dirigido pelo crítico e cineasta pernambucano Kléber Mendonça Filho, Crítico oferece em seus 76 minutos uma noção desses múltiplos olhares e pensares da crítica e, de certa forma, do espectador como um todo. Munido de uma série de entrevistas com cineastas e críticos de cinema coletadas durante oito anos, Kléber anda de mãos dadas com o documentário Bem Me Quer…Mal Me Quer (2004), de Maria de Medeiros, também com material capturado em edições do Festival de Cannes, onde muitos filmes nascem para o mundo. Realiza aqui o que parece ser uma rica reflexão sobre o cinema, quem o faz e quem o escreve, tendo na palavra de dezenas de profissionais a elaboração de um olhar sobre a relação entre os papéis do crítico e do cineasta no cinema, relação por vezes conflituosa, por vezes complementar, mas sempre diante de um escopo mais amplo. Tempo de escrita em festivais (em Cannes, são corridas 2 horas para um texto), autoria, intenções dos cineastas, proximidade entre profissionais e pessoalidade são alguns dos muitos interesses de alguém que cumpre a dupla função, um cineasta crítico (ou crítico cineasta) entrevistando críticos e cineastas.

Em Crítico, Kléber pode ter imergido numa espécie de auto-investigação a procura de uma maior compreensão do cinema não pelas obras, mas pelas pessoas que as compõem. Entrevistados aparecem com envolvente franqueza e interesse, abertos, até mesmo vulneráveis, expostos a um tema caro e delicado, mas que não parecem se incomodar porque Kléber guia tudo como uma grande conversa sobre cinema, paixão comum a todos. Embora reserve espaço para atritos e rusgas que inevitavelmente surgem nesse tipo de relação (segundo o cineasta Sérgio Bianchi, há “uma montanha de ressentimento” em parte da crítica brasileira), são mínimos os traços de “arrogância”, imagem que, sabemos, é associada tanto a críticos quanto a diretores, colocados aqui num ping-pongão que tem no cinema a sua rede.

Uma pergunta-resposta entre o jornalista Michel Polac e Jean-Luc Godard abre o documentário nos lembrando que os filmes não mudam, e sim quem os assiste. Não parece haver melhor relato para introduzir um filme que demonstrará o quanto isso pode ser complexo, e Crítico parece sugerir que, se é o olhar de quem assiste que muda, então os filmes mudam com ele. No depoimento de uma crítica norte-americana, o cineasta Abbas Kiarostami é citado ao ilustrar que o juízo de valor, o gostar ou não gostar de filmes, é muito mais uma questão de momento; na vez de Carlos Reichenbach, o diretor relata como um crítico o fez perceber uma constante na sua filmografia que jamais tinha notado até então, apontando aí a ideia da crítica como um possível veículo do inconsciente. Uma a uma, cada entrevista revela curiosas personas do ofício.

Kléber, que sempre me pareceu possuir um dos olhares mais sensatos e atentos para o Cinema, nunca hesitou em deixar claro o valor de uma perspectiva pessoal na arte. Estreia no longa-metragem, Crítico acaba por refletir com preciosidade uma das falas de seu autor: “filmes são o que são mais o que nós somos.”

Estréia da semana: CRÍTICO

76′ / Brasil / 2008 / Português / Documentário

O filme “Crítico” é a primeira experiência em longa-metragem do cineasta de Kleber Mendonça Filho (Vinil Verde, Eletrodoméstica, Noite de Sexta Manhã de Sábado). Neste documentário de 76 minutos, cerca de 70 críticos e cineastas, entrevistados no Brasil e no exterior, discutem o cinema a partir do conflito que existe entre o artista e o observador, o criador e o crítico. O filme foi produzido com incentivo do Funcultura do Governo de Pernambuco, com apoio da Faculdade Maurício de Nassau. É uma produção do CinemaScópio, em co-produção com a Link Digital.

DIRETOR: Kleber Mendonça Filho

SINOPSE: 70 críticos e cineastas discutem o cinema a partir do sempre interessante conflito que existe entre o artista e o observador, o criador e o crítico. Entre 1998 e 2007, Kleber Mendonça Filho registrou depoimentos sobre esta relação no Brasil, Estados Unidos e Europa, a partir da sua experiencia como crítico. Com depoimentos reveladores de criadores como Gus Van Sant, Tom Tykwer, Eduardo Coutinho, Curtis Hanson, Carlos Reichenbach, Walter Salles e Carlos Saura, Crítico abre uma janela para uma arte cada vez mais julgada por mecanismos de mercado, e que luta para permanecer humana tanto no fazer, como no observar.

FESTIVAIS
Mostra de Cinema de Tiradentes – Janeiro 2008
BAFICI (Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente) – abril 2008
CURTA SE (Aracaju, maio 2008)
FAM 2008 (Florianópolis, junho 2008)
Festival de Gramado (agosto 2008)

Em cartaz no Cine Cultura de 07 a 11 de outubro