Arquivo mensal: dezembro 2012

Programação – Janeiro de 2013

Programação - JANEIRO_2013

A experiência cinematográfica de 2013 começa no Cine Cultura em 11 de janeiro, uma sexta-feira, com o início da Mostra Leos Carax, que exibe até dia 16 os três primeiros longas-metragens da expressiva carreira de um dos cineastas mais relevantes do cinema francês contemporâneo. A Mostra, que passou no Brasil apenas por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, agora chega à Goiânia, orgulhosamente abrigada pelo Cine Cultura. Os filmes são: “Boys Meet Girls” (1984), “Sangue Ruim” (1986), “Os Amantes da Ponte Neuf” (1991). Todas as exibições da Mostra Leos Carax têm entrada franca.

Antes disso, no período de 2 a 10 de janeiro, o Cine Cultura passa por ajustes técnicos. Os equipamentos de projeção digital recém instalados serão melhor ajustados ao novo processamento de som e tratamento acústico da sala. Trata-se de um momento de testes e treinamento de funcionários para que o cinema funcione de maneira ainda melhor em 2013.

O Cine Cultura recebe ainda em janeiro, dia 17, quinta-feira, a exibição dos curtas-metragens de Ksnirbaks Alalaô, realizada pela própria artista. A pauta é resultado do processo espontâneo de ocupação do Cine Cultura pela sociedade, que pode criar e propor eventos de projeção cinematográfica no cinema. A noite é aberta ao público em geral e tem entrada gratuita.

Dia 18, sexta, começam as estreias de janeiro no Cine Cultura. É quando entra em cartaz “Sudoeste” (2011), longa-metragem dirigido pelo brasileiro Eduardo Nunes que ganhou o Prêmio Andrei Tarkovsky no Festival de Zerkalo – Rússia, além dos Prêmios do Júri e da Crítica no Festival do Rio, ambos em 2012. Ao lado dele entra em cartaz “Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas” (2010), do tailandês Apichatpong Weerasethakul, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes e um dos cineastas mais festejados da atualidade.

Na sexta-feira seguinte, dia 25, estreia “Ha Ha Ha” (2010), do sul-coreano Hong Sang-Soo. O longa levou Prêmio de Melhor Filme na Mostra “Um Certo Olhar” de Cannes em 2010. É o décimo longa-metragem do diretor e o primeiro a ser distribuido comercialmente no Brasil.

Assim, o Cine Cultura tem o prazer de comunicar com antecedência sua programação mensal. O processo, que será feito ao longo de todo o ano de 2013, garante que ao final do mês corrente, seja divulgado o cronograma completo com as exibições do mês seguinte. Segundo a diretora do cinema, Marcela Borela, isso é um procedimento importante para que o público possa se organizar de acordo com suas prioridades. “É importante também para que o compartilhamento das informações sobre a atuação diferenciada do Cine Cultura, como sala de cinema que prima por trazer para Goiânia o melhor do cinema contemporâneo mundial, circule cada vez mais intensamente, fortalecendo as relações de confiança entre o cinema e a comunidade”, ressalta.

“Febre do Rato” e “Um Verão Escaldante” entram em cartaz hoje no Cine Cultura

O Cine Cultura estreia nesta sexta-feira (21), dois longa-metragens, o drama francês “Um Verão Escaldante” do mestre Phillipe Garrel e “Febre do Rato”, do diretor pernambucano Cláudio Assis. Os filmes permanecem em cartaz até o dia 30 deste mês. Devido ao recesso de Natal, não haverá sessões nos dias 24 e 25 de dezembro. Os ingressos custam R$ 8,00 (inteira) e R$ 4,00 (meia).

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Em “Um Verão Escaldante” Paul (Jérôme Robart) trabalha como ator figurante, mas sonha em ser um pintor. Através de um amigo, ele conhece o artista plástico Frédéric (Louis Garrel), que é casado com uma famosa atriz de filmes italianos chamada Angèle (Monica Bellucci). Fazendo um pequeno papel em um filme de guerra, ele acaba conhecendo Elisabeth (Céline Sallette) durante uma filmagem e os dois começam a se relacionar. Livres em sua maneira de viver, Frédéric e Angèle viajam para Roma para passar um período por lá e convidam o casal de namorados para ficar com eles em sua casa. Uma vez lá, o quarteto passa a vivenciar uma experiência que poderá mudar suas vidas. O filme concorreu ao Leão de Ouro no festival de Veneza em 2011. “Um Verão Escaldante” será exibido de segunda a sexta nas sessões das 18h30, e nos fins de semana nas sessões das 17h.

 

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“Febre do Rato” mostra o Recife a partir da visão da periferia e marginalidade.  O longa, que arrebatou oito prêmios no Festival de Cinema de Paulínia em 2011, traz sob a fotografia de Walter Carvalho as paisagens do Recife em preto e branco. O filme conta a história de Zizo (Irandhir Santos), um poeta inconformado e de atitude anarquista, que publica um tabloide com seu próprio dinheiro. Na cidade úmida e escaldante, enfiada na beira de mangues e favelas, Zizo alimenta sua pena, seu sarcasmo, sua grossa ironia. As coisas caminham de maneira descontrolada, mas ao mesmo tempo todas as relações estão estabelecidas em cima do mundo que Zizo criou e alimentou para si mesmo. O filme será exibido sempre na segunda sessão do dia, de segunda à sexta às 20h30 e sábados e domingos às 19h.

O Cine Cultura fica no Centro Cultural Marietta Telles Machado, na Praça Cívica, nº 2.

Mais informações pelo telefone (62) 3201 – 4670.

Cine Cultura faz pré-estreia do longa-metragem “Febre do Rato” hoje em Goiânia

O Cine Cultura vai exibir, pela primeira vez em Goiânia, o longa-metragem brasileiro “Febre do Rato”, dirigido pelo cineasta pernambucano Cláudio Assis. A sessão acontece hoje, quinta-feira, 20 de dezembro, às 20 horas. Ao final da sessão será realizado um bate-papo com Tânia Granussi, atriz do filme. Ela interpreta em “Febre do Rato” o travesti Vanessa, que tem um relacionamento com Pazinho, papel de Matheus Nachtergaele.  A sessão é gratuita e os ingressos serão distribuídos na recepção do cinema 30 minutos antes da sessão.

Esta é uma sessão especial que tem o objetivo de promover o debate sobre o cinema brasileiro com o público de Goiânia, uma vez que o filme de Cláudio Assis (terceiro longa da carreira do diretor) é um dos principais lançamentos brasileiros em salas de cinema do ano de 2012 e não havia chegado ainda na cidade. Amanhã, sexta-feira, 21, “Febre do Rato” entra em cartaz no Cine Cultura normalmente e permanece sendo exibido até 30 de dezembro de 2012. Ele entra em cartaz na tradicional segunda sessão do dia: de segunda a sexta as 20h30 e sábados e domingos as 19 horas.

Febre do Rato_divulgação

“Febre do Rato” mostra o Recife a partir da visão da periferia e marginalidade.  O longa, que arrebatou oito prêmios no Festival de Cinema de Paulínia em 2011, traz sob a fotografia de Walter Carvalho as paisagens do Recife em preto e branco. O filme conta a história de Zizo (Irandhir Santos), um poeta inconformado e de atitude anarquista, que publica um tabloide com seu próprio dinheiro. Na cidade úmida e escaldante, enfiada na beira de mangues e favelas, Zizo alimenta sua pena, seu sarcasmo, sua grossa ironia. As coisas caminham de maneira descontrolada, mas ao mesmo tempo todas as relações estão estabelecidas em cima do mundo que Zizo criou e alimentou para si mesmo.

O Cine Cultura informa que o cineasta Cláudio Assis, cuja presença estava confirmada para a sessão especial de hoje, não poderá estar em Goiânia desta vez. Cláudio teve problemas de ordem pessoal e lamenta sua ausência na cidade, onde já esteve inúmeras vezes. Para representar o filme, o Cine Cultura convidou então uma das atrizes do longa, a talentosa Tânia Granussi. O bate-papo com a convidada acontece após a sessão e conta ainda com a presença de Polly Di Britto, vice-presidente do Coletivo Cine Cultura (Associação dos Amigos do Cine Cultura) e de Marcela Borela (diretora do Cine Cultura) como debatedoras.

O Cine Cultura fica no Centro Cultural Marietta Telles Machado, na Praça Cívica, nº 2.

Mais informações pelo telefone (62) 3201 – 4670.

 

Serviço:

Filme: “Febre do Rato”, de Cláudio Assis.

Data: 20 de dezembro.

Horário: 20 horas.

Local: Cine Cultura – Centro Cultural Marietta Telles Machado, Praça Cívica, nº2.

Classificação indicativa: 18 anos

Informações: (62) 3201- 4670 | 4646

Blog: cineculturagoias.wordpress.com

ENTRADA FRANCA

Cine Cultura recebe 7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Mostra

O Cine Cultura recebe, de 14 a 19 de dezembro, a 7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. Criada em 2006, a Mostra chega à sua sétima edição presente nas 26 capitais estaduais brasileiras e no Distrito Federal. A programação conta com um total de 37 filmes que serão exibidos sempre com entrada franca em sessões com sistema de audiodescrição e closed caption (voltadas a deficientes visuais e auditivos, respectivamente).

O grande homenageado do evento em 2012 é o brasileiro Eduardo Coutinho, um dos mais importantes documentaristas da atualidade, seu trabalho é reconhecido pela sensibilidade e pela capacidade de ouvir o outro, registrando sem sentimentalismos as emoções e aspirações das pessoas comuns. Estão programados o clássico “Cabra Marcado Para Morrer” (1984), premiado no Festival de Berlim, “Santo Forte” (1999), um mergulho na intimidade de católicos, umbandistas e evangélicos de uma favela carioca, e “O Fio da Memória” (1991), mosaico sobre a experiencia negra no Brasil a partir da figura de um artista popular.

A programação traz um total de 37 filmes, incluindo vários títulos inéditos no circuito comercial brasileiro, como os longas-metragens “Hoje”, de Tata Amaral, e “O Dia Que Durou 21 Anos”, de Camilo Tavares. O documentário “O Dia Que Durou 21 Anos” revela documentos secretos que confirmam articulações de governos norte-americanos para a derrubada do presidente João Goulart, seguida pela instauração da ditadura militar brasileira (1964-1985). “Hoje”, por seu turno, aborda reflexos atuais de fatos ocorridos durante essa mesma ditadura e tem no elenco Denise Fraga e o ator uruguaio Cesar Troncoso. O filme foi o grande vencedor do Festival de Brasília, onde acumulou cinco premiações, inclusive de melhor filme e de melhor atriz.

Também inédito comercialmente no país, o colombiano “Chocó”, de Johnny Hendrix Hinestroza, foi lançado pelo Festival de Berlim deste ano e transformou-se em grande sucesso de público. A obra destaca os problemas do desemprego, do desalojamento e da violência doméstica.

Com sua estreia mundial também promovida pelo Festival de Berlim, o indicado oficial pelo Uruguai ao Oscar de Filme Estrangeiro “A Demora” mostra uma mulher, de família pobre, que não consegue internar seu idoso pai em um asilo e acaba tomando uma atitude drástica. Assinado pelo cultuado diretor Rodrigo Plá, o longa é inédito nas salas brasileiras.

Duas obras focalizam a lei Maria da Penha, que alterou o Código Penal Brasileiro, permitindo que agressores de mulheres no âmbito doméstico sejam presos em flagrante ou tenham a prisão preventiva decretada: o média-metragem “O Silêncio das Inocentes”, de Ique Gazzola, e o curta “Maria da Penha: Um Caso de Litígio Internacional”, de Felipe Diniz. A lei leva o nome da biofarmacêutica cearense que ficou paraplégica após ser baleada pelo marido.

Na programação está ainda “Elvis & Madona”, longa vencedor do Prêmio da Associação de Correspondentes Estrangeiros (ACIE) nas categorias melhor ator (para Igor Cotrim, melhor atriz (para Simone Spoladore), melhor diretor (para Marcelo Laffitte) e melhor filme segundo o júri popular. O divertido enredo acompanha o envolvimento de uma travesti com uma jovem entregadora de pizza.

 Já “Batismo de Sangue”, dirigido por Helvécio Ratton, trata da participação de frades dominicanos na luta clandestina contra a ditadura militar brasileira, no fim dos anos 1960. Adaptado do livro homônimo de Frei Betto, vencedor do prêmio Jabuti, o filme foi vencedor dos prêmios de melhor direção e melhor fotografia no Festival de Brasília e tem no elenco Caio Blat, Daniel de Oliveira, Cássio Gabus Mendes e Ângelo Antônio.

Uma realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com produção da Cinemateca Brasileira/MinC e patrocínio da Petrobras, a Mostra tem o objetivo de celebrar o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948,  exibindo filmes produzidos recentemente nos países sul-americanos, criando espaços para que produtores e demais profissionais do cinema possam divulgar seus trabalhos relacionados aos Direitos Humanos.

A iniciativa conta com apoio do Ministério das Relações Exteriores, da TV Brasil, da Sociedade Amigos da Cinemateca e do Sesc. As obras mais votadas pelo público são contempladas com o Prêmio Exibição TV Brasil nas categorias longa, média e curta-metragem. A programação tem curadoria do cineasta e curador Francisco Cesar Filho. A coordenação e produção local em Goiânia é realizada pelo Icumam (Instituto de Cultura e Meio Ambiente).

Mais informações podem ser acessadas através do website: www.cinedireitoshumanos.org.br.

 

SERVIÇO:

7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Data: 14 a 19 de dezembro de 2012

Local: Cine Cultura – Sala Eduardo Benfica

Realização: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

Patrocínio: Petrobras

Produção: Cinemateca Brasileira/Ministério da Cultura

 

ENTRADA FRANCA

 

Coordenação e Produção Local:

ICUMAM – Instituto de Cultura e Meio Ambiente

Contatos: Maria Abdalla

62 3218 3779 e 62 9972 7101

Assistentes: Joelma Paes e Osvaldo Lélis

62 9224 8166 e 62 8194 4175

producao@icumam.com.br

La Vida Útil: filme em perfeita sintonia com a reabertura do Cine Cultura

la vida util

Fabrício Cordeiro

Após meses fechado para reformas, o Cine Cultura volta às suas atividades nesta sexta-feira, 07 de dezembro. Localizado na Praça Cívica, o cinema conhecido como “o mais charmoso de Goiânia” não poderia ter escolhido melhor reabertura: La Vida Útil – Um Conto de Cinema (2010), de Federico Veiroj, cineasta uruguaio. Com 70 minutos de duração, o longa será exibido na sessão de 18h30 de segunda à sexta e na sessão de 17h aos sábados e domingos.

Como é sabido, salas de rua tornaram-se espécies em extinção, sobretudo a partir da virada dos anos 70 para os anos 80, quando Hollywood entendeu que shopping centers eram um excelente lugar para os negócios, e que Tubarão e Star Wars apontavam um modelo a ser seguido. A cinefilia teve de se adaptar, o público mudou. Aos poucos, as pessoas deixaram de ir ao cinema e adquiriram um hábito mais… sedutor(?): consumir o cinema, e em um local onde poderiam consumir muitas outras coisas.

Soma-se a isso o fato do cinema também desprender-se da sala de exibição, da tela grande, encontrando seu novo lugar nas fitas VHS, nos DVDs, nas TVs por assinatura e, hoje, nos arquivos virtuais, na imaterialidade da “nuvem”. O olhar coletivo encontrou um amigo rival: o ver doméstico.

O filme de Veiroj fala justamente de um cinema pouco sobrevivente, de exibições alternativas e autorais,   como ciclo de filmes uruguaios e Mostra Manoel de Oliveira. É a Cinemateca de Montevidéu, mas poderia ser qualquer cinema de rua da América Latina.

Acompanhamos Jorge (Jorge Jellinek), funcionário da Cinemateca da capital uruguaia por mais de 20 anos. É sua rotina de trabalho que lembrará o espectador o quanto há de ofícios comuns e burocráticos por trás do prazer de assistir a um filme, além dos inúmeros esforços para que esse tipo de cinema seja mantido vivo. São salas atordoadas por problemas técnicos e flanqueadas por dependências administrativas, sendo o “economicamente não rentável” um motivo para cordas no pescoço.

Numa cena de discurso mais explítico, outro personagem explica a importância destas salas não apenas como exibidoras, mas como espaços de aprendizado e formação de espectadores. A política de público das cinematecas, tão importante nas décadas de 1950 e 1960, ficou para trás assim como o nostálgico preto-e-branco de La Vida Útil virou sinônimo de passado.

Os últimos suspiros do lugar parecem estar no som das cortinas se abrindo, no barulho do rolo de filme no projetor e no movimento das portas, tão sozinhas quanto Jorge, detalhes e instantes que Veiroj filma com afetuoso interesse, revelando paixão e lamento. Não por acaso, mesmo distante de sua Cinemateca, Jorge parece procurar pequenos momentos cinematográficos para sua vida, com uma cena nas escadas de uma universidade sendo das mais bonitas e encantadoras.

É um filme com um forte clima de solidão e abandono. Não exatamente de pessoas (de alguma forma, elas estão salvas, surpreendentemente!), mas a solidão de um tipo de cinema e, não muito atrás, de um tipo de prazer.

Assistir a La Vida Útil num cinema como o Cine Cultura é, em certa medida, ser o filme. Ou, na mais feliz das hipóteses, declarar que sua atmosfera cinefilamente fúnebre (mas doce e, por fim, esperançosa) ainda pode se enganar.

Publicado originalmente no portal A Redação.