Arquivo mensal: julho 2013

Cine Cultura exibe Mostra dedicada ao cineasta John Carpenter

Programa Mostra John Carpenter

(Texto: Fabrício Cordeiro)

“Na França, eu sou um autor; na Alemanha, um realizador; na Grã-Bretanha, um diretor de gênero; e, nos EUA, um vagabundo.”

Esta talvez seja a declaração mais famosa de John Carpenter, que recebe uma Mostra com 14 de seus longas, a partir desta sexta-feira (26), no Cine Cultura. É raramente citado ao lado de grandes como Martin Scorsese, Clint Eastwood e Robert Altman, cineastas norte-americanos que, nutridos de notável inspiração durante os anos 1970 e 1980, cravaram seus nomes entre aqueles que costumamos chamar de mestres. Seria a sua intimidade com o cinema de horror e com o fantástico o motivo dessa relativa recusa? Pois Carpenter também trata e observa, frequentemente com saboroso cinismo, de algumas das grandes questões quem dizem respeito não apenas ao seu país, mas ao cinema praticado por Hollywood durante décadas. Construiu uma carreira anti-establishment, mas até aí Altman fizera o mesmo.

Carpenter é cria de Howard Hawks e Nicholas Ray. É devoto do cinema clássico, sobretudo do western, o gênero americano por excelência, presente na lapidação de seus anti-heróis, como o Snake Plissken (Kurt Russell) de Fuga de Nova York (1981) e Fuga de Los Angeles (1996); na relação entre homens, verificada na coleção masculina isolada no Ártico em O Enigma de Outro Mundo (1982); ou na mise en scène do jogo de caçada e abrigo, o cerco iminente, como uma contagem regressiva, a começar por Assalto à 13ª DP (1976), modernização e urbanização de Onde Começa o Inferno? (1959), de Hawks.

Além de suas influências, é digno de atenção a maneira como o cinema de Carpenter parece ser energizado pelo medo. Em Halloween (1978), há o medo vizinho, o receio de andar pelas ruas do prometido sonho americano, medo daquele que ousa ignorar as leis de um bairro aparentemente tranquilo, invasor munido de faca de cozinha, objeto tão doméstico e familiar. Em A Bruma Assassina (1980), adaptação de Stephen King, Carpenter inaugura a ameaça que vem de outra dimensão e, tecnicamente, nos ensina que, no cinema, é possível temer o que mais parece ser apenas gelo seco.

O desconhecido, o outro mundo, passa a ser figura recorrente na obra do cineasta. Enquanto Steven Spielberg faturava milhões com seu extraterrestre bonzinho no lançamento de E.T. (1982), no mesmo ano Carpenter aparecia com um alien nada amistoso em O Enigma de Outro Mundo, sua versão para O Monstro do Ártico (1951). Em seguida, faz Christine (1983), outra adaptação de Stephen King, sobre a relação entre um rapaz e um automóvel com vida (maligna) própria, numa espécie de subversão dos filmes de high school ou mesmo dessa cultura colegial típica dos Estados Unidos. Dois anos depois, faria Starman (1984), este, sim, algo muito próximo da história do E.T. de Spielberg, mas com Jeff Briges interpretando o alienígena solto na terra, criando vínculos com humanos e perseguido pelo governo, num curioso mix de encanto e estranhamento.

Seus filmes seguintes também são movidos por forças ocultas: Os Aventureiros do Bairro Proibido (1986), provavelmente seu trabalho mais divertido, parece todo empenhado em brincar com as expectativas de filmes de ação e fantasia; em Príncipe das Sombras (1987), o mal absoluto e capetoso prestes a chegar à Terra, num crescendo que Carpenter carrega até um desfecho medonho, a imagem de um certo braço sendo algo difícil de esquecer; por sua vez, Eles Vivem (1988), sua provável grande obra-prima, sci-fi esquisitona que eleva ao máximo a ideia de sociedade do espetáculo, visualizando um mundo dominado por forças maiores, imperceptíveis, e, assim, capaz de resumir boa parte da obra de Carpenter, em que seus personagens passam a cultivar alguma proximidade com o insano, ou, num grau mais metafórico, correm o risco de sucumbir a poderes que, embora aparentemente distantes, são muito reais (o consumo em Eles Vivem, que Carpenter declarava ser uma resposta à era Reagan; o carro em Christine, símbolo da produção, da indústria, do capitalismo, da liberdade individual e da virilidade…).

A Mostra no Cine Cultura ainda exibe À Beira da Loucura (1994), Vampiros de John Carpenter (1998), Fantasmas de Marte (2001) e Aterrorizada (2010), Carpenters dos anos 1990 e do século já virado, nesta que muitos têm considerado sua fase mais questionável. Mas não teria sido a carreira de Carpenter sempre questionável, e dela saído tanto brilhantismo?

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As sessões da Mostra John Carpenter acontecem de segunda à sexta às 19h e 21h, e aos sábados e domingos às 17h30 e 19h30. No domingo, após a sessão com o filme Christine, haverá debate com o professor da FACOMB Daniel Christino, e no último dia da Mostra, após a exibição do filme Aterrorizada, o público poderá acompanhar o debate com o crítico de cinema do Jornal A Redação, Fabrício Cordeiro.  Todas as exibições da Mostra John Carpenter tem entrada franca.

Serviço
Mostra John Carpenter
Quando:
 26 de julho a 01 de agosto de 2013
Local: Cine Cultura – Centro Cultural Marietta Telles Machado, Praça Cívica, nº 2.
Mais informações: (62) 3201-4670
ENTRADA FRANCA

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Cine Cultura estreia dois documentários e um curta-metragem a partir de sexta-feira (12)

O Cine Cultura estreia nesta sexta-feira (12) os documentários “A Cidade é uma Só?”, de Adirley Queirós e “Olhe Pra Mim de Novo”, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman. Antes das sessões do filme Olhe Pra Mim de Novo será exibido o premiado curta-metragem Vestido de Laerte.

O filme “A Cidade é Uma Só?” entra em cartaz com sessões às 21h, de segunda a sexta e às 19h30 aos sábados e domingos. A sessão com o curta Vestido de Larte e o longa Olhe Pra Mim De Novo começa sempre às 19h, de segunda a sexta e às 17h30 aos sábados e domingos. Os filmes permanecem em cartaz até o dia 25 de julho.

A Cidade é uma Só?

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Dirigido pelo cineasta Adirley Queirós, o documentário apresenta uma reflexão sobre os 50 anos de Brasília, tendo como foco a discussão sobre o processo permanente de exclusão territorial e social que uma parcela considerável da população do Distrito Federal e do Entorno sofre, e de como essas pessoas restabelecem a ordem social através do cotidiano. O filme recebeu o prêmio de Melhor Filme pela Crítica na 15ª Mostra de cinema de Tiradentes.

Olhe Pra Mim de Novo

Olhe Pra Mim De Novo

O filme Olhe Pra Mim De Novo é um road-movie que aborda a trajetória do transexual Silvyo Luccio em cidades pelo sertão nordestino. Silvyo expõe suas inquietações e dramas pessoais ao viajar com a equipe por vários Estados do Nordeste, para interagir com outras pessoas vítimas de preconceito. Em 2011, o filme recebeu o prêmio de Melhor Documentário no Festival Internacional do Rio.

No sábado (13), às 21h, o Cine Cultura recebe o lançamento do curta-metragem “Lembranças Esquecidas”, de Rochane Torres e Juliana de Castro. O evento tem entrada franca.

O Cine Cultura fica no Centro Cultural Marieta Telles Machado, na Praça Cívica, nº 2. Os ingressos custam R$ 4,00 Meia e R$ 8,00 Inteira. Idosos não pagam.

Mais informações pelo telefone (62) 3201-4670.

Para conferir a programação completa do Cine Cultura acesse o link: www.cineculturagoias.wordpress.com/programacao

 

Serviço:

Cine Cultura – Estreias 12 de julho

Filmes:

– Olhe Pra Mim de Novo, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman.

– A Cidade é uma Só?, de Adirley Queirós;

Em Cartaz: 12 a 25 de julho

Ingressos: R$ 4,00 (meia) R$ 8,00 (inteira)

Local: Cine Cultura – Centro Cultural Marietta Telles, Praça Cívica, nº 2.

 

Programação de julho traz três estreias e Mostra dedicada a John Carpenter

Em julho a programação do Cine Cultura traz à Goiânia três grandes estreias nacionais e uma Mostra dedicada ao cineasta John Carpenter.

Programação - JULHO

Na primeira semana, entre os dias 5 e 11 de julho, seguem em cartaz os filmes Elena, de Petra Costa e Crazy Horse, de Frederick Wiseman.

Na sexta-feira, dia 12 de julho, estreiam os filmes “Olhe Pra Mim De Novo” de Claudia Priscilla e Kiko Goifman e “A Cidade é uma Só?”, de Adirley Queirós. O longa, lançado pela Sessão Vitrine, apresenta uma reflexão sobre os 50 anos de Brasília, tendo como foco a discussão sobre o processo permanente de exclusão territorial e social que uma parcela considerável da população do Distrito Federal e do Entorno sofre, e de como essas pessoas restabelecem a ordem social através do cotidiano. Já o filme Olhe Pra Mim De Novo é um road-movie no sertão nordestino que acompanha a história do transexual masculino Silvyo Luccio. Antes das sessões do longa será exibido o premiado curta-metragem Vestido de Laerte, estrelado pelo próprio cartunista.

Dia 13 de julho o Cine Cultura abre espaço para o lançamento do curta-metragem “Lembranças Esquecidas”, de Rochane Torres. O evento acontece às 21h, a entrada é franca.

Entre 26 de julho e 01 de agosto, o Cine Cultura exibe uma Mostra dedicada ao cineasta americano John Carpenter, considerado mestre do terror. A Mostra contará com os principais títulos do diretor e será exibida em duas sessões diárias, de segunda a sexta às 19h e 21h, e aos sábados e domingos às 17h30 e 19h30. A entrada é franca.

Boas sessões à todos!

 

Serviço:

Programação Cine Cultura – de 05 de julho a 01 de agosto

Local: Cine Cultura Centro Cultural Marietta Telles Machado, Praça Cívica, nº 2.

Ingressos: Sessões ordinárias – R$ 8 Inteira / R$ 4 Meia.

Mostra John Carpenter – ENTRADA FRANCA